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Existe um aplicativo para você achar alguém com os mesmos fetiches que você

Felipe Germano

22/02/2019 04h00

Se você perguntar para 100 pessoas o que elas acharam de "50 Tons de Cinza", quase 60 vão falar que detestaram o filme. A maioria das críticas fala sobre o roteiro péssimo ou as atuações sofríveis. Tudo verdade. Mas temos de dar o braço a torcer, uma cena –e apenas uma, deixemos claro– tem um lapso de lucidez.

O raro momento acontece quando Christian Grey está inseguro de contar, para sua nova namorada, o que gosta de fazer na cama. Suas falas exatas são: "Meus gostos são… peculiares. Você não entenderia". Anastasia, a mocinha, logo replica: "Então me mostre".

Cá entre nós, nem todo mundo teria a mesma resposta da protagonista. Mesmo se tivesse, não significa que ela seria sincera. O mundo adulto é repleto de fetiches – mas nem todo mundo tem a mente aberta o suficiente para aceitá-los. Contar para sua nova namorada que você quer ver ela transar com outro cara, por exemplo, não é a tarefa mais fácil do mundo. Mas tem muita gente querendo isso. A prática, chamada Cuckold, tem milhares de adeptos. Brasileiros inclusive. Não à toa a tag "Cuckold Brasil" tem mais de 6 mil vídeos relacionados, no Xvideos.

Um jeito prático de resolver essa questão é deixando claro seus fetiches desde o princípio, sem ninguém ter que sair do armário de sextoys. Melhor ainda, é encontrar alguém por causa dos teus fetiches. É pra isso que serve o FET.

O FET é um Tinder para fetichistas. Disponível para iOS, ele é tão simples quanto poderia ser: você diz como se identifica (homem ou mulher), depois fala o que está procurando (homens, mulheres ou ambos), dá sua data de nascimento (para comprovarem que você não é menor de idade) e aí as coisas começam a ficar interessantes.

O app pergunta qual é o seu fetiche, ou "papel", se você preferir chamar assim. São 50 opções, todas com a explicação sobre o que significa aquela designação.

Você pode se identificar, por exemplo, como Spanko (alguém que tem interesse em bater, ou apanhar durante o sexo), Furry (pessoa que se identifica com um animal, ou criatura, e usa fantasias ou símbolos para representá-lo durante ato sexual), Bull (lembra do cuckold? Bull é a pessoa que tem interesse em transar com o/a parceiro(a) de um cuckold), Vanila (pessoa que não se identifica com nenhum fetiche específico) ou até Blackboot (engraxate, em português, é a pessoa que tem interesses sexuais ou profissionais de limpar botas – algo muito requisitado dentro da comunidade BDSM).

Depois disso você escolhe um nome de usuário, senha e voilà, você está dentro.

Dentro do app você cria seu perfil –pode até não ter fotos (mas de acordo com o aplicativo, você tem 8.800% chances a mais de sucesso quando coloca uma)– e escolhe suas preferências. Você está procurando alguém com os mesmos fetiches que você, ou alguém com um tesão específico? Você que manda.

Um problema do aplicativo, no entanto, é a falta de controle do raio de alcance dele. Você pode acabar cruzando com alguém que tenha tudo que você está procurando – mas vive em Minnesota. Há, porém, uma possibilidade de selecionar pessoas pela proximidade, e não pelo fetiche. Ocasionalmente os dois fatores se encontram num mesmo perfil, mas isso exige um pouquinho mais de paciência.

Depois que você achar um perfil pelo qual se interessa, você pode mandar uma mensagem (não precisa dar match) ou dar um coraçãozinho para começar a seguir aquela pessoa.

Há ainda fóruns para você ler e participar, diversos grupos temáticos (que nem do WhatsApp) em que você pode falar sobre o assunto que mais te interessa.

Resumindo, o FET é simples, com problemas, mas que pode te dar uma ajudinha na hora de encontrar alguém para dividir fetiches e conversar – nem que seja pra falar mal de "50 Tons de Cinza"…

Sobre o Autor

Felipe Germano é jornalista que escreve sobre Comportamento Humano, Saúde, Tecnologia e Cultura Pop. Para encontrar as boas histórias que procura contar, atravessa o planeta: visitou de clubes de swing e banheiros do sexo paulistanos à sets de cinema hollywoodianos. Trabalhou nas redações da rádio Jovem Pan, site Elástica, Revista Época e Revista Superinteressante - e agora colabora com o UOL.

Sobre o Blog

Sexo é o que há de mais antigo nesse planeta, e tecnologia nos traz o que há de mais moderno. Mesmo sem saber quem foi nosso antepassado mais antigo, dá para cravar: ele transava. Mas se engana quem acha que o sexo não mudou nada desde a primeira vez. A tecnologia evoluiu, e com ela nossos hábitos na cama (ou no chão, ou no celular...). Mas dá para juntar tudo, e divertir-se. Muito prazer, esse é o Sexting.