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Não, um app não é capaz de dizer quão gay você é

Felipe Germano

18/10/2019 14h10

Montagem com ícones de prettycons e Smashicons / Flaticon

Sexo não é bom só na cama. Os estudos sobre o tema tem trazido resultados incríveis também. Sabemos por exemplo que o sexo pode amenizar doença de Parkinson. Um fato continua sem explicação: não sabemos o que faz uma pessoa ser hétero, bi ou homossexual. Certamente não está atrelado a um único gene do nosso DNA, mas um aplicativo está prometendo analisar seus genes a procura de algum indício LGBTQIA+. E isso pode trazer grandes problemas.

O tal app chama-se "How gay are you?" ("Quão gay você é?", em português) e está hospedado na GenePlaza, uma plataforma exclusivamente dedicada a aplicações que fazem análises genéticas. Ao pagar € 164 (R$ 760) no site, você consegue encomendar um kit que ensinará a coletar amostras de seu próprio DNA. Ao ser enviado de volta, é submetido a análises para trazer suas informações genéticas.

Um aplicativo com um nome desses em uma plataforma que analisa seus genes para te trazer respostas não dá margem a dúvidas, certo? Errado. Na verdade, nas letras miúdas da própria descrição do app, seus desenvolvedores avisam: "Este aplicativo não prevê atração pelo mesmo sexo". E o motivo é simples: é impossível.

Um estudo recente feito em parceria pelas Universidades de Cambridge, Harvard e MIT, chegou a esta conclusão. Por anos acreditou-se que a homossexualidade estava atrelada a um gene conhecido como Xq28. Os americanos, então, analisaram mais de 500 mil amostras de DNA para ver se a afirmação fazia sentido. A resposta foi um sonoro não.

O mais próximo de um "gene gay" que o estudo encontrou foi perceber diversos genes que, quando apareciam juntos, aumentavam a chance de o analisado ter relações homoafetivas. Ainda assim, a taxa de acertos ficava entre 8% e 25%.

O que o app se propõe a fazer é analisar esses genes. Com uma porcentagem tão baixa de acerto, você tem mais chances de acertar se alguém é ou não gay se simplesmente chutar.

Vale notar que o criador do aplicativo, Joel Bellenson, vive em Uganda. Atualmente, o país considera a homossexualidade crime punível com prisão –e uma nova onda conservadora quer fazer com que pena de morte seja aplicada aos gays.

A falta de rigor científico e a periculosidade de tentar medir a homossexualidade de alguém veio gerando aversão na web. Um abaixo-assinado, que no momento desta publicação estava com 1.400 participantes, pede que o app seja retirado do ar.

Se sexo está rendendo tanta coisa boa nos laboratórios, é importante saber o que fazer com essas informações. Distorcê-las para fazer aplicativos mentirosos não parece a melhor das opções. Se for pra fazer isso, melhor nem sair da cama.

Sobre o Autor

Felipe Germano é jornalista que escreve sobre Comportamento Humano, Saúde, Tecnologia e Cultura Pop. Para encontrar as boas histórias que procura contar, atravessa o planeta: visitou de clubes de swing e banheiros do sexo paulistanos à sets de cinema hollywoodianos. Trabalhou nas redações da rádio Jovem Pan, site Elástica, Revista Época e Revista Superinteressante - e agora colabora com o UOL.

Sobre o Blog

Sexo é o que há de mais antigo nesse planeta, e tecnologia nos traz o que há de mais moderno. Mesmo sem saber quem foi nosso antepassado mais antigo, dá para cravar: ele transava. Mas se engana quem acha que o sexo não mudou nada desde a primeira vez. A tecnologia evoluiu, e com ela nossos hábitos na cama (ou no chão, ou no celular...). Mas dá para juntar tudo, e divertir-se. Muito prazer, esse é o Sexting.

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