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App mostra para a galera quando você vê pornografia. O motivo? Parar de ver

Felipe Germano

29/11/2019 04h00

Divulgação

Onisciente, onipresente e onipotente, a tecnologia sabe mais sobre você do que qualquer pessoa. Uma olhadinha no seu histórico de buscas e é fácil registrar sua cobiça, uma passada rápida nos stories traz um relatório sobre seu domingo, e com algumas poucas mensagens no grupo da família um algoritmo pode entender como é sua relação com seu pai e mãe. Mas via de regra, esses dados são só seus (e dos desenvolvedores), seu celular é praticamente um confessionário digital. Bom, isso pode mudar. Um app está dedurando quando os usuários acessam pornografia. Atirando a primeira pedra sem dó.

O app chama-se Covenant Eyes (algo como "Olhos no Acordo", em português). E tenta fazer as pessoas pararem de ver pornografia usando a vigilância de terceiros como tática.

Para isso, o usuário tem que baixar e instalar o aplicativo em seu celular e computadores. Durante o cadastro, é necessário informar os contatos de "prestadores de contas". Pode ser qualquer pessoa, alguém da família, seu crush, e, claro, o líder religioso que você segue. Mas pense bem em que nome colocar, porque as consequências são diretas.

O sistema conta com uma inteligência artificial que consegue identificar conteúdo erótico. Baseado em um sistema de machine learning, o bot foi submetido a diversas imagens e vídeos eróticos e em pouco tempo aprendeu a distinguir fotos comuns de pornografia.

Ao detectar imagens +18, o robô não hesita: tira um print da página completa onde a pornografia aparecia e envia para sua lista de "prestadores". As imagens, vale ressaltar, são borradas – para evitar atrapalhar a castidade de quem recebe a denúncia.

A ideia é fazer com que você tenha tanto medo da exposição que deixe de acessar pornografia.

O app parece ser de especial interesse para grupos religiosos.  No site do aplicativo, em uma área dedicada a líderes religiosos, é possível ler: "você sabe que as pessoas do seu ministério estão assistindo pornô e sabe que o uso da pornografia impede o crescimento espiritual e os relacionamentos saudáveis. (…) Temos o compromisso de fornecer recursos para pastores e líderes de ministérios que ajudarão você a entender a recuperação e prevenção de vícios de pornografia, para que seu povo possa se curar do pecado sexual e viver uma vida abundante".

Não pense, no entanto, que as penitências são as únicas coisas pagas nessa história. O app não é gratuito. Para fazer parte do sistema, o fiel tem que pagar US$15,99 (cerca de R$70). Está dando certo. Pelo menos para quem criou o sistema. A Covenant Eyes lucra US$57 milhões por ano (cerca de R$ 242 milhões), de acordo com o site investigativo Roll Call.

 

Sobre o Autor

Felipe Germano é jornalista que escreve sobre Comportamento Humano, Saúde, Tecnologia e Cultura Pop. Para encontrar as boas histórias que procura contar, atravessa o planeta: visitou de clubes de swing e banheiros do sexo paulistanos à sets de cinema hollywoodianos. Trabalhou nas redações da rádio Jovem Pan, site Elástica, Revista Época e Revista Superinteressante - e agora colabora com o UOL.

Sobre o Blog

Sexo é o que há de mais antigo nesse planeta, e tecnologia nos traz o que há de mais moderno. Mesmo sem saber quem foi nosso antepassado mais antigo, dá para cravar: ele transava. Mas se engana quem acha que o sexo não mudou nada desde a primeira vez. A tecnologia evoluiu, e com ela nossos hábitos na cama (ou no chão, ou no celular...). Mas dá para juntar tudo, e divertir-se. Muito prazer, esse é o Sexting.

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