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Pesquisador de Harvard quer criar um Tinder genético - mas é uma boa ideia?

Felipe Germano

13/12/2019 04h00

Montagem com ilustrações de slidesgo e Freepik

Se você começar a pesquisar sobre genética, em algum momento encontrará o nome George Church. O cara é um professor-celebridade sobre o assunto. Dono de uma vaga de pesquisador em Harvard (onde estuda nosso DNA desde 1984) e de um site feio pra caramba que lhe dá crédito por 143 patentes e coautoria de 515 estudos, o americano ganhou um status de bam-bam-bam genético.

Por isso mesmo foi chamado para falar um pouco sobre o assunto no 60 Minutes, programa de entrevistas no horário nobre dos EUA. Legal, e nada sexual… até o momento que ele revelou uma de suas ideias para o futuro: criar um Tinder onde você só desse match com base no seu DNA. E isso, queridxs, pode ser um problemão.

Sabe-se pouquíssimo sobre o app. Nem nome ele ainda tem. O que já é fato é que Church incorporou ao seu laboratório uma startup chamada  Digid8, que tem exatamente a proposta imaginada pelo cientista: mapear a genética de solteiros mundo a fora e não permitir o match entre pessoas com possibilidade de terem filhos com problemas genéticos. "A gente não te mostraria quem é incompatível com você", afirmou.

Condições genéticas são comuns no nosso dia a dia. A união de casais com determinados genes podem fazer um filho ter olhos azuis, nanismo, ser ruivo ou possuir daltonismo. Características que hoje são formadas pela loteria que é o nosso DNA. O que Church propõe é uma plataforma digital que impeça pessoas de se relacionar, baseado na genética.

"[Conseguiríamos evitar] 7 mil doenças, que cerca de 5% da população possui", afirmou. Bom, isso significa que, se depender do aplicativo, cinco a cada 100 pessoas que hoje existem nunca nem teriam nascido. Talvez você não teria nascido – já que mesmo que você não tenha uma dessas características, talvez existisse a possibilidade de você ter.

O papo de Church assusta porque não é a primeira vez que a humanidade tenta criar seres humanos com uma genética sonhada por médicos de avental branco. Hitler tentou fazer a mesma coisa com a tal da "raça ariana". Os nazistas fizeram experimentos com dezenas de milhares de prisioneiros, tudo usando a teoria da evolução de Darwin como justificativa.

Para quem se assustou com a iniciativa (como eu) é válido falar que não há nenhum tipo de data para essa história sair do papel, até porque o custo é alto. Church estima que hoje, para mapear o DNA de gente do mundo todo, a brincadeira sairia por US$ 1 trilhão ao ano.

Fico na torcida para Church usar o tempo e o dinheiro que conseguir em outras coisas. Ele quer, por exemplo, clonar um mamute.

Sobre o Autor

Felipe Germano é jornalista que escreve sobre Comportamento Humano, Saúde, Tecnologia e Cultura Pop. Para encontrar as boas histórias que procura contar, atravessa o planeta: visitou de clubes de swing e banheiros do sexo paulistanos à sets de cinema hollywoodianos. Trabalhou nas redações da rádio Jovem Pan, site Elástica, Revista Época e Revista Superinteressante - e agora colabora com o UOL.

Sobre o Blog

Sexo é o que há de mais antigo nesse planeta, e tecnologia nos traz o que há de mais moderno. Mesmo sem saber quem foi nosso antepassado mais antigo, dá para cravar: ele transava. Mas se engana quem acha que o sexo não mudou nada desde a primeira vez. A tecnologia evoluiu, e com ela nossos hábitos na cama (ou no chão, ou no celular...). Mas dá para juntar tudo, e divertir-se. Muito prazer, esse é o Sexting.

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