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Cansou o dedo? Robôs aprendem suas preferências e dão match no Tinder

Felipe Germano

16/02/2020 04h00

Montagem sob ilustração de pikisuperstar | Freepik

Perder as esperanças no Tinder pode te levar a dois caminhos: o primeiro é simplesmente apagar o app e tentar uma vida amorosa estritamente offline. O segundo se resume a diminuir bastante os critérios de seleção e, na prática, simplesmente deslizar para a direita como se não houvesse amanhã – até que um novo match apareça.

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Alguns programadores, no entanto, estão tentando dar um pouco de requinte a essa segunda opção: eles estão programando bots para identificar quais são seus perfis ideais e dar match por eles.

"Comecei me perguntando: 'Ei, eu quero melhorar a minha vida amorosa, mas como posso fazer isso da maneira mais preguiçosa possível?'", conta o cientista de dados Jeffrey Li, ao Mashable. Li sabia a resposta: hábil em treinar robôs, ele criou uma inteligência artificial que identificasse quais eram seus padrões. Gosta de cabelo rosa? Detesta? Prefere pessoas com olhos grandes? Pequenos? Aquele tipo de informação que às vezes nem mesmo a gente sabe responder bem, mas que fica claro quando você olha quais foram as últimas pessoas que você teve interesse em sair.

Despejou para o robô, então, fotos vindas tanto do Google Imagens quanto de perfis do Tinder que cruzavam o seu caminho. Sempre sinalizando se aquilo seria uma deslizada para a esquerda ou para a direita. Algum tempo depois, o robô aprendeu.

Li colocou o bot para fazer as deslizadas por ele. A máquina dava 100 deslizadas por dia, sendo que 20 delas eram para direita. As estatísticas não foram ruins. Li disse que conseguia cerca de cinco matchs por semana. Sem ter de entrar no Tinder uma vez que fosse.

A partir do momento que os matchs aconteciam, Li assumia o controle. Batia um papo com suas novas pretendentes e tentava descolar um encontro. Satisfeito, colocou o código online no GitHub, plataforma repositória de programações.

Foi assim que o programador belga Robert Winters achou os códigos – e resolveu se aprofundar ainda mais na história. Com base nas linhas de Li, Winters resolveu automatizar até mesmo o próximo passo: fez com que os bots conversassem por ele. Deu certo.

"Em determinado momento eu estava tendo talvez 200 conversas ao mesmo tempo… Acho que o Tinder sacou o que estava acontecendo e, claro, me baniu da plataforma", contou Winters ao Mashable.

A expulsão faz todo sentido. O próprio Tinder deixa claro que é contra esse tipo de prática, no seu manual de conduta. "O uso de apps para o desbloqueio de ferramentas (como deslizes automáticos) não é permitido", afirma a empresa. Isso porque a robotização não só elimina a real chance de conhecer alguém ali dentro, como também possui problemas éticos bem graves. Bots movidos à machine learning, como os de Li, por exemplo, costumam ter dificuldade em reconhecer rostos negros. O resultado? Matchs quase que 100% caucasianos.

Fica a dica para você, então. Não use robôs, capriche na fotinha, mande um papo legal e arranje alguém para passar a noite. Não precisa perder as esperanças, não, o match vai aparecer – contanto que você mesmo deslize para a direita.

Sobre o Autor

Felipe Germano é jornalista que escreve sobre Comportamento Humano, Saúde, Tecnologia e Cultura Pop. Para encontrar as boas histórias que procura contar, atravessa o planeta: visitou de clubes de swing e banheiros do sexo paulistanos à sets de cinema hollywoodianos. Trabalhou nas redações da rádio Jovem Pan, site Elástica, Revista Época e Revista Superinteressante - e agora colabora com o UOL.

Sobre o Blog

Sexo é o que há de mais antigo nesse planeta, e tecnologia nos traz o que há de mais moderno. Mesmo sem saber quem foi nosso antepassado mais antigo, dá para cravar: ele transava. Mas se engana quem acha que o sexo não mudou nada desde a primeira vez. A tecnologia evoluiu, e com ela nossos hábitos na cama (ou no chão, ou no celular...). Mas dá para juntar tudo, e divertir-se. Muito prazer, esse é o Sexting.

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