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Isolado, mas nem tanto: como o coronavírus afeta a indústria de robô sexual

Felipe Germano

10/04/2020 04h00

Divulgação / Silicon Wive

Em tempos de coronavírus os encontros pessoais estão cancelados. Já falamos aqui que está tudo bem você transar com parceiros que moram com você – e até que dá para organizar orgias online – mas se você está na solteirice (ou simplesmente é um casal que quer transar com outras pessoas) isso talvez não te satisfaça. Tem gente torcendo para isso, na verdade: fabricantes e vendedores de robôs sexuais estão apostando na pandemia como uma chance de expandir o negócio. Até agora está dando certo.

"Seu isolamento voluntário não tem que ser péssimo! Todas as nossas bonecas são feitas de Silicone Premium não poroso", clama, em um post de Instagram , o perfil da RealDolls – uma das principais fabricantes de bonecas realistas e robôs eróticos do planeta. Legal, mas quem liga para a ausência de furinhos? Um monte de gente preocupada com o covid.

O que poderia ser um detalhe, em tempos de pandemia, é o principal atrativo de venda: a característica ajuda na limpeza e, se bem higienizada, elimina o risco de transmissão de Infecções Sexualmente Transmissíveis – ou coronavírus -, mesmo se usada por diferentes pessoas. É a sedução pela anti-sepsia.

Faz sentido. A utilização de sextoys tem sido uma das maneiras mais seguras de chegar ao orgasmo sem quebrar a quarentena. Não à toa, as vendas de brinquedos eróticos explodiu no mundo todo durante a pandemia. Mas os robôs sexuais e as bonecas realistas ainda ganham em um ponto extra: elas são mais pessoais.

Sempre me lembro de uma entrevista da BBC quando tento entender o sucesso desses produtos: "[Um sextoy de aparência humana] facilita a experiência de viver uma fantasia, é mais palpável do que a pornografia, e mais controlável do que o sexo com um parceiro", diz Shelly Ronen, uma pesquisadora da Universidade de Nova York que estuda sextoys. Dá para discordar, mas é uma linha de raciocínio coesa.

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Sem saber quanto tempo essa situação toda vai durar, fabricantes estão fazendo de tudo para esvaziar as prateleiras. A própria Real Dolls sorteou uma de suas bonecas entre os seguidores na última semana. Uma concorrente, a Silicon Wives sorteou duas.

A corrida pela queima de estoque já começou, mas para disputar essa maratona, ninguém pode estar na rua.

Sobre o Autor

Felipe Germano é jornalista que escreve sobre Comportamento Humano, Saúde, Tecnologia e Cultura Pop. Para encontrar as boas histórias que procura contar, atravessa o planeta: visitou de clubes de swing e banheiros do sexo paulistanos à sets de cinema hollywoodianos. Trabalhou nas redações da rádio Jovem Pan, site Elástica, Revista Época e Revista Superinteressante - e agora colabora com o UOL.

Sobre o Blog

Sexo é o que há de mais antigo nesse planeta, e tecnologia nos traz o que há de mais moderno. Mesmo sem saber quem foi nosso antepassado mais antigo, dá para cravar: ele transava. Mas se engana quem acha que o sexo não mudou nada desde a primeira vez. A tecnologia evoluiu, e com ela nossos hábitos na cama (ou no chão, ou no celular...). Mas dá para juntar tudo, e divertir-se. Muito prazer, esse é o Sexting.