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"Não é você, é o covid": o mundo lá fora tirou sua vontade de fazer sexo?

Felipe Germano

21/05/2020 04h00

twinsfisch / Unsplash

Você está a fim. Não pode sair de casa, pelo menos alguma coisa boa tem que sair disso, né? Aí pensa sobre o assunto, procura um estímulo. Visual, auditivo, se apoia no tato ali. Talvez até comece a sentir o coração bater um pouco mais forte, mas aí vem um número na cabeça: 270 mil… casos confirmados. Dá para ter tesão na quarentena assim?

A resposta é: dá, claro. Há poucas semanas eu mesmo falei a aqui sobre o tesão crescente retratado nas redes – mas há a outra metade da moeda: nem todo mundo se identifica com esse fogo-de-pandemia. E não é difícil entender quem não está no clima de ousar na cama.

Quando falei com Justin Lehmiller, um dos principais sexólogos do planeta, para discutir sobre a libido pandêmica, ele cravou: "Do mesmo jeito que percebemos um aumento em pessoas clamando que estão com muito tesão, há também um outro grupo de pessoas que, no meio dessa situação, estão menos interessadas em sexo do que costumam estar". Faz sentido, ainda mais no Brasil. É remédio sem comprovação científica sendo endossado como milagre, índice de isolamento abaixo dos 40%, e, meu deus, essa história do menino João Pedro. Fica difícil arrepiar por bons motivos.

Lehmiller chegou a me explicar que o tesão pandêmico vem justamente dessa sensação de que não tem saída, e é melhor aproveitar o que temos pela frente. Continuo acreditando nessa linha de raciocínio. Tanto que lembrei justamente dela esta semana, quando li uma entrevista da também pesquisadora sexual Sarah Melancon ao site Healthline. No papo, Melancon diz que justamente a tentativa de continuar vivo no meio de uma pandemia pode afetar a cama em parte da população. "Há um estresse financeiro que, de alguma forma, é um tipo de estresse de sobrevivência. Nesses casos podemos ver um estímulo maior para a luta, não para a procriação – e a vida sexual é afetada aí", afirma.

Há ainda uma série de argumentos que podem explicar essa broxada na vida sexual dos quarentenados. Há diversos estudos que associam a libido com problemas no sono (tem alguém dormindo bem por aí?), mudanças na alimentação (mesmo quando elas são positivas) e no aumento de consumo de álcool.

Hayley Catherine / Unsplash

Os solteiros ainda têm o problema de, bom, não poderem encontrar pessoalmente seus crushes.

E os casais ainda podem estar sofrendo com o isolamento conjunto: pares nunca conviveram tanto tempo juntos e isso pode afetar a libido. Um texto do site Mic chegou até a relacionar esse momento com a dificuldade que os animais do zoológico têm em transar, descobri essa semana que há livros inteiros dedicados ao assunto isso. E se atinge leões, por que não afetaria pombinhos?

Em tempos assim não dá para tentar traçar nenhum tipo de comportamento exemplar na cama. Conseguindo se divertir? Que bom, essa dopamina toda pode ser uma aliada agora. Não consegue pensar em sexo? Problema nenhum também, arranje esses hormônios de outro jeito, veja um filme, faça um skype com sua mãe, se distraia porque quando isso acabar, tudo vai virar história. Engraçadas, tristes ou eróticas, não importa. Histórias para mesa de bar. Alguma coisa boa tem que sair disso.

Sobre o Autor

Felipe Germano é jornalista que escreve sobre Comportamento Humano, Saúde, Tecnologia e Cultura Pop. Para encontrar as boas histórias que procura contar, atravessa o planeta: visitou de clubes de swing e banheiros do sexo paulistanos à sets de cinema hollywoodianos. Trabalhou nas redações da rádio Jovem Pan, site Elástica, Revista Época e Revista Superinteressante - e agora colabora com o UOL.

Sobre o Blog

Sexo é o que há de mais antigo nesse planeta, e tecnologia nos traz o que há de mais moderno. Mesmo sem saber quem foi nosso antepassado mais antigo, dá para cravar: ele transava. Mas se engana quem acha que o sexo não mudou nada desde a primeira vez. A tecnologia evoluiu, e com ela nossos hábitos na cama (ou no chão, ou no celular...). Mas dá para juntar tudo, e divertir-se. Muito prazer, esse é o Sexting.