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Aqui, não! Zoom bota até inteligência artificial para achar live de orgia

Felipe Germano

28/05/2020 04h00

Killing Kittens / Divulgação

Há um mês eu apareci aqui falando sobre as orgias online no Zoom. Na impossibilidade de ter encontros físicos, por conta do corona e etc, um dos maiores clubes de sexo do planeta estava usando o videochat para organizar surubas. Um monte de gente daqui amou a ideia, mas sabe que não curtiu? Olha só… o Zoom. A plataforma está declarando guerra ao sexo grupal dentro da marca. Mas os organizadores das festas não estão pensando em parar com elas, não.

Em defesa do Zoom, eis que as orgias nunca foram permitidas na plataforma. Se você olhar nos termos, eles falam sobre isso. "Usuários não devem usar o serviço para: […] participar de nenhuma atividade que é prejudicial, obscena ou indecente (particularmente no que pode ser entendido no contexto empresarial de seu uso). Isso inclui, por exemplo, exibição de nudez, violência, pornografia, material sexualmente explícito, ou atividade criminal".

Por outro lado, em defesa dos organizadores das festas eróticas, o texto pode dar a entender que o conteúdo sexual não é permitido apenas em contextos de trabalho – o que seria justíssimo, até para servir como um alerta ao assédio em ambientes trabalhistas.

Aparentemente não é o caso. A Rolling Stone gringa apurou que o Zoom não só está incomodado com o sexo na plataforma – como passou a combatê-lo de forma ativa. De acordo com a publicação, a empresa passou a utilizar inteligência artificial para detectar, e derrubar, lives com conteúdo erótico.

"Nós encorajamos nossos usuários a denunciar violações de nossas normas, e nós usamos uma série de ferramentas, incluindo machine learning, para identificar proativamente contas que cometam violações", afirmou um representante à revista.

Esse contexto inteiro nos leva à uma pergunta inevitável: quem lê aquelas letrinhas miúdas? E, mais importante, onde essas orgias podem rolar sem problemas?

Bom, um olhar mais atento pode te trazer algumas más notícias: você provavelmente veio infringindo algumas boas regras – mesmo que nunca tenha participado de um bacanal digital. O Skype, por exemplo, não só proíbe conteúdo erótico, como também não permite que você fale palavrões durante as lives. F#%*@?

Esse cenário têm feito algumas festas, então, mudarem novamente: das ruas para o Zoom, e do Zoom para outras plataformas. A NSFW, uma descolada casa de swing novaiorquina que vinha atraindo o publico jovem antes da pandemia, por exemplo, começou a organizar suas festas na plataforma Eventcombo (que já providencia também a compra de ingressos para a brincadeira). Há também alguns registros de festas no app Houseparty, e mesmo no Skype (que anda menos rigoroso na perseguição ao conteúdo adulto na sua plataforma).

Mesmo com o Zoom não gostando, também não dá para dizer que as orgias acabaram por lá. O Killing Kittens, que protagonizou nosso outro papo sobre o tema, continua por lá – com a maioria das festas atingindo lotação máxima, vale destacar…

Sobre o Autor

Felipe Germano é jornalista que escreve sobre Comportamento Humano, Saúde, Tecnologia e Cultura Pop. Para encontrar as boas histórias que procura contar, atravessa o planeta: visitou de clubes de swing e banheiros do sexo paulistanos à sets de cinema hollywoodianos. Trabalhou nas redações da rádio Jovem Pan, site Elástica, Revista Época e Revista Superinteressante - e agora colabora com o UOL.

Sobre o Blog

Sexo é o que há de mais antigo nesse planeta, e tecnologia nos traz o que há de mais moderno. Mesmo sem saber quem foi nosso antepassado mais antigo, dá para cravar: ele transava. Mas se engana quem acha que o sexo não mudou nada desde a primeira vez. A tecnologia evoluiu, e com ela nossos hábitos na cama (ou no chão, ou no celular...). Mas dá para juntar tudo, e divertir-se. Muito prazer, esse é o Sexting.