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"Tá isolado aí?": O que as pessoas alegam para procurar o ex na quarentena

Felipe Germano

18/06/2020 04h00

Brittani Burns/ Unsplash

O termo "ex" vem do latim. As duas letrinhas, em sua origem, expressam o movimento de sair, ir para fora. Ex-namorado, então dá essa ideia de um amante que saiu da sua vida. Tão explicativo quanto irônico: um novo estudo está mostrando que pessoas estão procurando seus e suas ex justamente agora – que não podem sair, ir para fora.

Uma pesquisa feita pelo Instituto Kinsey, centro de pesquisas sexuais da Universidade de Indiana, revelou que a cada cinco pessoas, uma procurou o/a ex durante a quarentena.

Para chegar à conclusão, o estudo foi feito (remotamente) com 1.559 pessoas lá no começo da quarentena, entre 21 de março de 14 de abril. O resultado traçou alguns dos comportamentos que confinados tiveram com seus antigos pombinhos.

De acordo com a pesquisa, 28% dos solteiros mandaram algum tipo de mensagem para, pelo menos, um ex.

Não é de se espantar. Durante a quarentena não faltaram casos de pessoas que viram ali, no ex, uma chance de suportar um pouco melhor o caos pandêmico. Teve gente querendo voltar namoro em meio ao corona, e até mesmo um aumento na galera que acabou sonhando com amores passados.

As mensagens, no entanto, não são exclusivas de quem está livre, leve e solta. A pesquisa ainda mostrou que 13% das pessoas que estão em relacionamentos também contactaram o passado durante o isolamento – isso, no entanto, mostrou que o teor do texto não necessariamente era sexual ou romântico.

Kelly Sikkema / Unsplash

"O motivo mais comum – independentemente do status atual do relacionamento – era simplesmente dar uma olhada neles. Especificamente, eles geralmente queriam garantir que seu ex estivesse seguro e saudável ou ver como eles estavam lidando emocionalmente", afirmou em comunicado Justin Lehmiller, autor responsável pela pesquisa.

Essa, no entanto, não era a única motivação. "Uma minoria de participantes relatou entrar em contato com vários outros motivos, incluindo sentir-se sozinho ou entediado, querer sexo ou uma conexão, desejar um toque físico, verificar se eles estavam namorando alguém novo, ver seus filhos em comum e/ou querendo reacender o relacionamento. Devo observar que os participantes podiam selecionar vários motivos, portanto, às vezes, havia vários motivos presentes", completa.

Isso quer dizer que apenas os solteiros flertaram, enquanto os comprometidos apenas exerceram uma empatia cidadã quase que protocolar ali? Não. Mas, o status de relacionamento influenciou sim nas abordagens.

"Os solteiros tinham mais chance de procurar um ex porque estavam se sentindo sozinhos ou entediados. É um grupo que procurava algo familiar, ou queriam voltar a ficar juntos", afirma Lehmiller. Ao mesmo tempo, houve sim quem quisesse cometer um adultério pandêmico. "Isso sugere que, para um pequeno número de pessoas, a pandemia pode ter mudado a maneira como se sentiam em relação ao relacionamento atual ou os fez reconsiderar as decisões passadas", afirma.

Ou seja: você não foi a única pessoa que ficou mexida quando Insegurança, do Pixote, ou Pense em Mim, do Leandro & Leonardo, pipocou na sua playlist.

Sobre o Autor

Felipe Germano é jornalista que escreve sobre Comportamento Humano, Saúde, Tecnologia e Cultura Pop. Para encontrar as boas histórias que procura contar, atravessa o planeta: visitou de clubes de swing e banheiros do sexo paulistanos à sets de cinema hollywoodianos. Trabalhou nas redações da rádio Jovem Pan, site Elástica, Revista Época e Revista Superinteressante - e agora colabora com o UOL.

Sobre o Blog

Sexo é o que há de mais antigo nesse planeta, e tecnologia nos traz o que há de mais moderno. Mesmo sem saber quem foi nosso antepassado mais antigo, dá para cravar: ele transava. Mas se engana quem acha que o sexo não mudou nada desde a primeira vez. A tecnologia evoluiu, e com ela nossos hábitos na cama (ou no chão, ou no celular...). Mas dá para juntar tudo, e divertir-se. Muito prazer, esse é o Sexting.