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Transou sem camisinha? Site calcula a quantas pessoas você se expôs

Felipe Germano

2015-03-20T19:04:15

15/03/2019 04h15

"Carnaval" vem do latim carne vale, algo como "adeus à carne", em português. Faz sentido. Trata-se de uma referência à quaresma, o período de 40 dias que antecedem a Páscoa em que o consumo de carne é condenado. Para a grande maioria dos brasileiros, no entanto, a única carne existente no feriado é a fraca.

Regado a festa, dança, bebida e pouca roupa, o Carnaval é o ambiente perfeito para muito sexo. Ainda mais agora com aplicativos focados na folia. Todas notícias ótimas, mas que exigem cuidado. Você não tem ideia do quanto se expõe sexualmente – mas um site pode te ajudar a dimensionar.

Sabe aquele cara bonitinho que você tirou uma casquinha entre um bloquinho e outro, mas na hora decidiu ir sem camisinha? Pois bem, ele já transou com quantas pessoas antes de você? E essas pessoas já tinham feito sexo com mais quantas? E essas terceiras com mais quantas?

Soa longe demais para te incomodar, né? Mas não deveria. Se um cara lá daquela outra ponta tiver alguma IST (Infecção Sexual Mente Transmissível, é a sigla que substituiu a tradicional DST), é super possível que ela tenha sido transmitida de rala-e-rola em rala-e-rola, até chegar naquela fatídica transa que você teve no Carnaval. A infecção pode estar em você.

A ferramenta idealizada pela Lloyds Pharmacy, um conglomerado de farmácias britânico, quer explicitar justamente essa vulnerabilidade invisível nas epidemias de ISTs, e é extremamente simples de usar. Basta clicar neste link. E depois caracterize as pessoas com que já transou homens, mulheres, ambos, e qual era a idade aproximada de cada uma dessas pessoas.

Agora é só clicar em "Calculate" e esperar o número aparecer. Se prepare, porque ele vai ser gigantesco.

Se você só transou com duas garotas jovens, por exemplo, o número de parceiros indiretos é de quase 340 mil pessoas. Parece irreal, mas não é tanto. O site calcula quantos parceiros essas meninas tiveram, quantos parceiros os parceiros delas tiveram, quantos parceiros estes outros parceiros tiveram, e assim sucessivamente até atingir uma escala de seis distâncias.

Na prática, durante seu alalaô, Salvador inteira poderia ter te passado alguma coisa.

Os números são baseados em pesquisas britânicas que traçam estimativas sobre quantos parceiros cada gênero tem em sua respectiva faixa etária. Na prática, isso significa que seus números por aqui podem ser ainda maiores. Em 2010 uma pesquisa do instituto Tendencias Digitales, apontou que o Brasil é o país onde se tem o maior número de parceiros no planeta. Temos uma média de 12 pessoas.

Sem querer entrar naquele papo chato que poderia estar saindo na voz do cara que diz "Ministério da Saúde adverte", depois de qualquer propaganda de aspirina – mas sexo seguro está se tornando uma raridade no Brasil.

De acordo com os dados do Ministério, caiu de 58,4% em 2004 para 56,6%, em 2013, o número de jovens entre 15 e 24 anos que usam camisinha durante a relação com desconhecidos. Com parceiros fixos os números, que já eram menores, caíram ainda mais: de 38,8% em 2004 para 34,2% em 2013. Parece pouca diferença né? Mas os efeitos já podem ser sentidos. Se em 2006 19 brasileiros eram diagnosticados com HIV a cada 100 mil habitantes, em 2016 o grupo já subiu para 22.

A calculadora mostra que você não está confiando em uma só pessoa. Transar sem camisinha confiar em centenas de milhares. A carne pode ser fraca, mas a matemática não.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Felipe Germano é jornalista que escreve sobre Comportamento Humano, Saúde, Tecnologia e Cultura Pop. Para encontrar as boas histórias que procura contar, atravessa o planeta: visitou de clubes de swing e banheiros do sexo paulistanos à sets de cinema hollywoodianos. Trabalhou nas redações da rádio Jovem Pan, site Elástica, Revista Época e Revista Superinteressante - e agora colabora com o UOL.

Sobre o Blog

Sexo é o que há de mais antigo nesse planeta, e tecnologia nos traz o que há de mais moderno. Mesmo sem saber quem foi nosso antepassado mais antigo, dá para cravar: ele transava. Mas se engana quem acha que o sexo não mudou nada desde a primeira vez. A tecnologia evoluiu, e com ela nossos hábitos na cama (ou no chão, ou no celular...). Mas dá para juntar tudo, e divertir-se. Muito prazer, esse é o Sexting.