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Site de vaquinha online aprova vibrador unissex; por que isso é relevante?

Felipe Germano

11/10/2019 04h00

Divulgação: Cute Little Fuckers

Elon Musk, dono das empresas Tesla e SpaceX, disse na TV, no ano passado, que ocasionalmente dormia em um sofá desconfortável. Foi o bastante para que 591 usuários comovidos resolvessem doar um pouco de seu suado dinheiro para o conforto do bilionário. Se Musk precisasse de algo mais… caliente, as coisas seriam bem mais difíceis.

Isso porque juntar dinheiro em torno de sextoys é complicado. O Kickstarter, maior site do planeta em crowdfunding (vaquinha online, em português direto), raramente permite brinquedos eróticos em sua plataforma. Fundado em 2009, ele só permitiu seu primeiro vibrador em 2016 e de lá pra cá foram pouquíssimas adições na categoria. Mesmo assim, a startup Cute Little Fuckers conseguiu passar pelo crivo do Kickstarter e coletar grana para fabricar sextoys unissex.

O fundador da empresa de sextech, Step Tranovich, é "gender fluid" (não se identifica nem só como homem nem só como mulher), e sua experiência pessoal influenciou completamente o produto.

"É bobagem atrelar a venda de produtos a gêneros", contou Tranovich ao Sexting. "Como uma pessoa não-binária, eu quero que haja um diálogo entre os brinquedos e as experiências da minha comunidade", completa.

Step Tranovich | Divulgação

Esse foco específico e inclusivo, aliás, pode ser o motivo do raro sim dado pelo Kickstarter. "Esses brinquedos são explicitamente inclusivos. Eles são pensados para pessoas que nunca conseguiram usar um sextoy antes, e para quem está empolgado em explorar sua sexualidade", afirma Tranovich.

Mas como se faz um vibrador unissex? A empresa desenhou os brinquedos para responderem a diversas anatomias. "Nenhum dos nossos vibradores é feito para uma parte específica do corpo", conta o fundador.

O primeiro sextoy da marca, chamado de Puppypus (imagem acima, na abertura deste post), é um bom exemplo. Ele pode ser usado como plugue anal, mas também tem uma ponta que pode servir para estimular clitóris, e seus tentáculos foram projetados para encaixar ergonomicamente em pênis, podendo vibrar para aumentar o estimulo em todas essas situações.

Deu certo, ao menos financeiramente. Step esperava juntar US$ 13 mil ao longo de um mês para viabilizar o Puppypus. Bateu a meta. Em 12 horas. Dez dias depois a empresa já acumulou quase US$ 23 mil (R$ 93 mil), e ainda tem mais 27 dias de campanha pela frente. Se chegarem aos US$ 27 mil, começarão a produzir seu segundo sextoy (chamado de Trinity), com US$ 40 mil se comprometem a lançar seu terceiro brinquedo, Galh, e com US$ 54 mil prometem colocar Starsi nas prateleiras.

O Kickstarter não explica por que costuma negar campanhas envolvendo sextech. Mas a aversão a tecnologias que envolvem o sexo não é uma questão só do crowdfunding. A edição deste ano da CES, a maior feira de tecnologia do planeta, chegou a dar um prêmio para um vibrador – mas depois voltou atrás e desclassificou o sextoy da premiação.

A promessa é de que, no ano que vem, a sextech será uma categoria própria na CES. A única condição é que sejam sextoys inovadores. Brinquedinhos para ambos os gêneros como os da Cute Little Fuckers talvez apareçam com mais frequência.

A empresa pretende entregar os brinquedinhos aos apoiadores em fevereiro de 2020. E, ah, eles podem ser entregues como presentes, caso você esteja querendo dar um novo presente para Elon Musk…

Sobre o Autor

Felipe Germano é jornalista que escreve sobre Comportamento Humano, Saúde, Tecnologia e Cultura Pop. Para encontrar as boas histórias que procura contar, atravessa o planeta: visitou de clubes de swing e banheiros do sexo paulistanos à sets de cinema hollywoodianos. Trabalhou nas redações da rádio Jovem Pan, site Elástica, Revista Época e Revista Superinteressante - e agora colabora com o UOL.

Sobre o Blog

Sexo é o que há de mais antigo nesse planeta, e tecnologia nos traz o que há de mais moderno. Mesmo sem saber quem foi nosso antepassado mais antigo, dá para cravar: ele transava. Mas se engana quem acha que o sexo não mudou nada desde a primeira vez. A tecnologia evoluiu, e com ela nossos hábitos na cama (ou no chão, ou no celular...). Mas dá para juntar tudo, e divertir-se. Muito prazer, esse é o Sexting.

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