PUBLICIDADE
Topo

Histórico

Transas, beijos, sextoys: saiba tudo sobre sexo em tempos de coronavírus

Felipe Germano

20/03/2020 04h00

Pixabay

Você já sabe: o coronavírus (ou a Cod-19 se quisermos ser mais técnicos) chegou no Brasil.

Entramos na casa das centenas de infectados e alguns óbitos já foram registrados. Esse cenário, inevitavelmente, nos coloca em xeque. De repente entendemos que nem sabemos lavar a mão direito. E se higienizá-las já gera dúvidas, imagine saber onde colocá-las. Afinal, podemos transar? E o Tinder é tão perigoso assim? E meu relacionamento aberto? Calma, tudo tem resposta. Molhe sua mãozinha no álcool gel, coloque sua máscara e vamos lá.

Posso transar com o mozão?

"Eu acho que deve. É o que nos sobrou", brinca Jamal Suleiman, infectologista do Instituto Emílio Ribas. "Se o casal estiver assintomático, não há problema algum. É uma maneira saudável de passar o tempo nessa quarentena que, por enquanto, está prevista para durar 14 dias", completa.

Agora, por favor, não esqueçam das camisinhas. "O que precisamos é tomar cuidado para mulheres não engravidarem (caso estejamos falando de relações hétero e cis). A gente ainda não sabe como esse vírus se comportará em crianças nascendo com ele", complementa. Nos últimos dias, foram registrados os primeiros recém-nascidos infectados, mas ainda entende-se pouquíssimo sobre como o coronavírus os afetará.

E o sexo casual, está liberado?

Não. Odeio ser a pessoa que vai te empatar, mas tente evitar aquela transa com o crush do bar. Até porque, convenhamos, você não deveria nem estar no bar. "É muito importante ficar sem sair nessas duas semanas", afirma Suleiman.

O coronavírus é extremamente contagioso. Um infectado tende a contaminar três pessoas. Que contaminam outras três, que contaminam mais três, que contaminam mais três. Parece bobeira, mas com pouquíssimos agentes chegamos na casa dos milhares de doentes. Por isso a quarentena é tão importante, ela ajuda a quebrar esse ciclo. Ir para algum lugar encontrar alguém para transar não é bom para ninguém.

Posso beijar na boca?

O beijo é uma das formas mais fáceis de espalhar o vírus, que se transmite via saliva. Isso significa que você tem que parar de beijar seu namorado ou esposa? Não. "Entre pessoas assintomáticas, a transmissão é baixíssima. Pode ficar tranquilo em casa. Se seu parceiro ou parceira começar a apresentar sintomas leves, como os de uma gripe comum, aí vale a pena passar em uma unidade básica de saúde e entender o que está acontecendo. Deixe os hospitais para quando houver a confirmação", diz o médico.

Isso, mais uma vez, vale apenas para pessoas que já estão confinadas na mesma casa juntos. Pelo amor, não beijem pessoas em rolês. Deem uma segurada .

Meu relacionamento é aberto, devo fechar por causa do vírus?

Aí você tem sua metade da laranja, mas vocês estão ok em sair com outras frutinhas por aí. Não tinha nenhum problema nisso. Agora tem. Não tem nada a ver com moralismo, é ciência mesmo. Vocês beijarem ou transarem com desconhecidos acaba ajudando a espalhar o vírus – e se você encontrar seu mozão depois talvez até passe para ele. "Nesse momento é muito importante que a gente preserve as pessoas que a gente ama. O recomendado é fechar essas relações por enquanto", afirma Suleiman.

E o Tinder, posso usar?

O próprio Tinder está recomendando que não usemos o app em tempos de pandemia. Se você entrou nele nos últimos dias talvez até tenha cruzado com uma mensagem dizendo que "sua saúde é mais importante que sua diversão".

Mesmo evitando os riscos de encontrar alguém no meio da balada. Simplesmente ir de uma casa para outra para transar já é uma furada. "Você não pode receber pessoas de fora. O objetivo é não te expor a ninguém. É muito importante ficar sem sair nessas duas semanas", afirma o infectologista.

Se não tenho ninguém fixo, como faço?

O Tinder e outros apps podem até ser uma saída nessas horas. Mas só se você focar única e exclusivamente no sexting. Mande mensagens calientes. Esse manual aqui te dá uns toques para você arrasar nos nudes. O nosso queridíssimo Bate-papo UOL tem salas dedicadas à sexo virtual, inclusive. Quem sabe você até chegue aos finalmentes offlines com esse pessoal… mas só depois da pandemia.

Masturbação também está, claro, liberada. Sites como o Pornhub, inclusive, estão tendo um tráfego cada vez maior. Na Itália, no ápice da pandemia, os acessos aumentaram 57%.

E meus sextoys, posso continuar usando/compartilhando?

Pode sim. O próprio doutor Jamal já conversou aqui comigo sobre como a gente pode fazer para higienizar vibradores, anéis penianos e afins. Limpe bonitinho e vai que vai.

Sobre o Autor

Felipe Germano é jornalista que escreve sobre Comportamento Humano, Saúde, Tecnologia e Cultura Pop. Para encontrar as boas histórias que procura contar, atravessa o planeta: visitou de clubes de swing e banheiros do sexo paulistanos à sets de cinema hollywoodianos. Trabalhou nas redações da rádio Jovem Pan, site Elástica, Revista Época e Revista Superinteressante - e agora colabora com o UOL.

Sobre o Blog

Sexo é o que há de mais antigo nesse planeta, e tecnologia nos traz o que há de mais moderno. Mesmo sem saber quem foi nosso antepassado mais antigo, dá para cravar: ele transava. Mas se engana quem acha que o sexo não mudou nada desde a primeira vez. A tecnologia evoluiu, e com ela nossos hábitos na cama (ou no chão, ou no celular...). Mas dá para juntar tudo, e divertir-se. Muito prazer, esse é o Sexting.